Crisálida da Cris


09/04/2011


Soneto Pra Duda

 

Doçura ou dádiva?

Não sei ao certo

Como explicar de que forma és amada

Se ainda não te tenho perto?

 

Se tuas mãos pequenas

As minhas ainda não tocaram

Ou a luz dos teus olhos

A mim não se revelaram?

 

Talvez tragas a resposta ou a solução

Para tantas perguntas que assolam

As marcas e ausências no coração

 

Serás uma "Senhora próspera", como o teu nome diz

E eu estarei na platéia a te aplaudir

Minha doce pequenina, desejo que sempre sejas feliz

 

Escrito por Cristiana às 19h09
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28/04/2010


Lembro

 

Lembro da barriga imensa - Como pode? - Pensava.

Lembro também de todas as vezes que minha mãe, exausta, deitava na cama e me chamava "- Vem falar com o bebê! - e lá ia eu, fazer o umbigo de telefone: - Alô?! Você tá aí?! Claro que estava, e crescendo, crescendo...

Lembro do medo e da incerteza - Como seria ela?! Tinham  me dito que era menina, mas meu Avô teimava em dizer que não. Tive que deixar meu berço e algumas de minhas coisas, mas no fundo não me importava, pois logo ela estaria brincando e correndo comigo.

Lembro que minha mãe se sentiu mal de repente, lembro da aflição e da correria. No dia seguinte, lembro de um telefonema que mudou tudo: ela não era ela, era ele! Sim, meu sábio avô, mais uma vez desafiara a ciência e saia ganhando.

Lembro de ficar feliz, de sair correndo pela rua do mercado até a casa da minha avó e chegando lá disparei eufórica - É menino e pesou 10 kilos! - Lembro das gargalhadas e de não ter entendido nada, mas logo em seguida meu pai me explicou que não eram 10, e sim 5 kilos...mas fiquei feliz de todo jeito.

Lembro quando ele chegou em casa, era grande e tinha a pele morena como a do meu pai, tão diferente da minha, branquinha...estávamos tão felizes, apesar de tudo ter que ser trocado do rosa para o azul e o par de brincos, presente da minha avó, acabou ficando pra mim.

Lembro que um dia depois do banho, minha mãe pra tomar conta enquanto ela preparava a mamadeira. Eu comia um pedaço de bolo de milho e não exitei, no alto dos meus 5 anos, em fezê-lo provar um pouco, e apesar de não ter dentes ele gostou. Lembro do desespero da minha mãe e dos bons tapas que tomei.

Lembro do seu primeiro aninho, que viajamos duas vezes e em uma delas fizemos o seu batismo. Lembro dos seus primeiros passos, das primeiras palavras e até do seu primeiro dentinho, lembro de empurrar seu carrinho e de ler histórias em quadrinhos pra ele dormir.

Lembro do seu primeiro dia na escola, que fiquei com ele pra se sentir seguro. Lembro de ajudá-lo nas tarefinhas e de segurar sua mão nos primeiros traços até ele aprender a escrever sozinho o seu nome.

Lembro das brincadeiras, dos briquedos e das fazendas cheias de bois e vacas que adorávamos montar juntos. Lembro do troninho azul, do cachorro Au-au, dos jogos de dominó, pega varetas, damas, do xadrez chinês, da trilha e do baralho, que ás vezes resultava em tanta briga mas também tanta diversão.

Lembro das tardes que iamos aos pastos cheios de vacas, bois e ovelhas, colocar água no cocho e nos divertirmos correndo por aquele mar de folhas verdes, muitas vezes, perseguidos pelos bichos que nele estavam.

Lembro quando aprendemos a andar de bicicleta, das voltas que dávamos em volta do quarteirão e de todas as vezes que caímos. Lembro dos patins azuis, do carrinho de controle remoto, do soldadinho de roupa camulflada que se arrastava pelo chão com sua metralhadora, dos jogos de tênis no corredor e das vezes que rolavam ele e papai no chão da sala, fazendo cócegas um no outro.

Lembro da formatura do ABC, dos desfiles cívicos da escola e do único aniversário que tive até hoje - o de 10 anos - em que ele estava mais ancioso do que eu. Lembro da felicidade em seu rosto nas fotografias e que tempos depois você teve sua própria festa surpresa.

Lembro dos constantes machucados, sempre estava com algum corte ou marca roxa no corpo, assim como meu pai, e quando chegava o fim do dia, lá iam os dois se divertirem com as caretas que cada um fazia na hora de colocar merthiolate.

Lembro quando estávamos doentes e nossa mãe passava sempre as noites em claro, dormindo entre as duas camas pra nos dar remédio. Lembro quando ela ficou doente e tive que cuidar de tudo sozinha e nem sempre do jeito mais certo.

Lembro das noites e brincadeiras na praça e da inesquecível cena do monte de terra que ele sem querer, jogou pra cima assustado quando foi surpreendido por mamãe no auge da travessura.

Lembro do cachorro Benji e dos galos campina, das baladeiras e do fundo do calção sempre, sempre rasgado e que mamãe costurava nem sempre com tanta paciência.

Lembro quando cada um ganhou seu próprio quarto e do capricho com que mamãe o decorava. Lembro da coleção de bonés, das figurinhas, da lancheira do Rambo e da camisa do Palmeiras. Lembro dos troféus e da medalha de melhor goleiro, do quiimono e do passeio com mamãe e Tia Mazé no Balneário Grangeiro.

Lembro do acidente de carro na véspera do ano novo que por pouco não se transformou em tragédia, mas deixou cicatrizes em seu rosto e no nosso coração.

Lembro das festas, dos finais de semana na fazenda e dos primeiros namoricos. Ele nunca falou nada pra mim, talvez por vergonha, mas sabia que minha mãe era sua confidente maior.

Lembro dos primeiros trabalhos, ele nunca foi de esperar por nada, sempre ia e fazia, começava a andar com suas próprias pernas. E foi em um desses trabalhos que um dia quebrou o braço e logo depois eu, ele e mamãe contraimos dengue. Fui mais forte, mas os dois passaram noites em claro com febre, delirando e rezando os dois juntos para sarar. Graças a Deus os seus pedidos foram atendidos.

O tempo passou mais um pouco, lembro do namoro ficar mais sério e os dois mesmo tão jovens já pensavam em se casar. Lembro daquela noite de Agosto que eu não estava em casa, mas quando cheguei encontrei todos em pranto - ele iria ser pai! Lembro que também chorei, de felicidade.

Lembro do seu casamento, tão simples e lindo. Lembro da casa que ajudamos a arrumar com tanto carinho. Lembro da felicidade.

Lembro da barriga dela crescendo. Parecia que vivia tudo novamente. Lembro do quartinho, das fraldas e do cheirinho de um novo bebê chegando.

Lembro do telefonema e do choro descompassado dos dois ao sair do obstetra, um mês antes do meu aniversário. Não viria um, mas dois bebês! Um menino e uma menina. O nome dele e o da nossa bisavô.

Lembro do dia do nascimento. Do nervosismo, do medo da perda. Uma mãe e dois filhos em uma sala imensa. Esperança, um choro. Lembro da rampa, duas emfermeiras, duas mantas e muitas lágrimas. As deles que acabavam de vir ao mundo e a nossa por viver aquela momento tão lindo e sublime.

Lembro da dedicação dele como pai, tão presente, reponsável e disposto. Das fraldas até a amamentação ele ajudava. Achava aquilo tudo tão lindo, pois nosso pai nunca cuidou de nós como ele cuidava dos seus filhos.

Lembro...eu lembro.

E lembro de tanta coisa que não queria lembrar...

Dor, sofrimento e muitas, muitas lágrimas como as que derramo agora.

Lembro que, há 25 anos atrás quando ele chegou, nos já o amávamos...

Lembro que um dia ele pode lembrar ao ler essa pequena história da sua vida que lembrei, mas ele esqueceu.

 

 

Escrito por Cristiana às 00h41
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29/07/2009


Obrigado Las Cortezas!!

Tudo que vivi está nessa música e nessas imagens...obrigado meus primores, obrigado "bichim"!

Escrito por Cristiana às 00h13
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08/06/2009


Sobre sonhos...

Engraçado...

Por que temos essa mania de achar tudo impossível?! De que nunca vai conseguir aquele emprego, entrar naquela Faculdade, sair daquela "pindaíba" terrível que nos persegue todo fim de mês...ou comprar aquele sapato ma-ra-vi-lho-so que grudou seus olhos na vitrine da loja, aquele celular, iPod ou Mp15 de novíssima geração que só você não tem, ou aqueles seus dois ou três quilinhos (no meu caso, alguns mais) que bem que poderiam sumir, assim, num passe de mágica.

Ah! se isso acontecesse!

Alguns casos são mais complicados e não dependem somente do lado material, como a cura de uma doença grave que assola uma família, uma perda precoce, ou aquelas palavras que saíram da sua boca (ou não) no ápice daquele momento.

Ah! Se isso não tivesse acontecido!

Sempre anciamos pelo impossível. Mas nossos sonhos seriam mesmo impossíveis?! Meus conceitos vêm mudando ultimamente.

Tive muitos sonhos. Digo tive porque alguns se perderam pela estrada e foram esquecidos ao longo dos anos de espera. Talvez tenha realizado alguns destes, mas não lembro. Talvez não fossem impossíveis ou talvez não fossem sonhos, apenas desejos...

Isso! Desejo!

Sempre desejamos algo, alguém ou alguma situação, fato. Na nossa concepção os desejos são realizáveis e os sonhos estão muito acima deste patamar.

Errado!

Os desejos são sonhos enrustidos.

Ao longo da vida aprendemos isso e eu devo ter chegado a esse estágio. Na infância me imaginava em vários mundos fantasiosos onde eu era dona absoluta dos meus sonhos: abria os braços, fechava os olhos e saltava...voava apesar de não ter asas.

Hoje, na vida adulta, vou entrar pela primeira vez em um avião em busca dos meus sonhos. Meio receosa, pois pode não ter a mesma beleza e liberdade do meu sonho de criança.

Ainda não tenho asas, mas não vou deixar de voar a procura da meu sonho.

Os sonhos se transformam. Os sonhos nos transformam.

Não há quem não sonhe e não há sonho impossível, acredite! Está tudo dentro de você, basta tentar. Mas nada de pressa, tudo ao seu tempo...os sonhos exigem isso: paciência! Só não deixe que a ânsia por correr atrás deles o tornem uma pessoa diferente a ponto de querer destruir os sonhos dos outros para construir os seus.

Trilhe seu caminho. Eu estou trilhando o meu nesse momento. Pode ser pequeno para alguns ou grandioso para outros, mas ele é do meu tamanho.

É o meu sonho, a minha realidade. Se eu posso, você também pode.

Abra os braços, feche os olhos e salte...

 

 

Escrito por Cristiana às 21h52
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09/05/2009


Obrigado Minha Mãe

 

Obrigado

 

Obrigado por ter me concedido a vida

Obrigado na prisão e na saída

Obrigado pela dor, pelo carinho

Obrigado pelo amor, pelo caminho

 

Obrigado pela luz, pela saúde

Se eu não fiz o que não quis, não fiz, não pude

Quero amor pra todo mundo, o tempo inteiro

Seja o que for serei melhor, mais verdadeiro

 

Obrigado, obrigado

Obrigado pela mente, pelo coração

Obrigado, obrigado

Obrigado pelo sonho, a realização

 

Obrigado pelo lado esquerdo e o direito

Obrigado pela qualidade e o defeito

Obrigado pelo som, pelo silêncio

Obrigado por que eu sinto, por que eu penso

 

Obrigado, obrigado

Obrigado pela mente, pelo coração

Obrigado, obrigado

Obrigado pelo sonho, a realização

 

Obrigado pela luz, pela saúde

Se eu não fiz o que não quis, não fiz, não pude

Quero amor pra todo mundo, o tempo inteiro

Seja o que for serei melhor, mais verdadeiro

 

Obrigado, obrigado

Obrigado pela mente, pelo coração

Obrigado, obrigado

Obrigado pelo sonho, a realização

Escrito por Cristiana às 23h18
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15/04/2009


2009 - primeira vez tocando as nuvens...

Depois de alguns meses sem vir por aqui, só quero começar o ano desse blog com uma linda imagem da minha janela, um céu de fim de tarde que eu pretendo conhecer de perto logo, logo...em 2009 terei muitas histórias pra contar!


Até mais...



Escrito por Cristiana às 21h31
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31/12/2008


Oração de Luz, Força e Esperança

Há dois anos atrás, também em um 31 de Dezembro, chovia. Era final de tarde e eu, como todo ser humano, comecei a refletir sobre a vida. Olhando a chuva me veio estrofe a estrofe dessa oração que passou a ser minha luz, minha força e minha esperança em todos os momentos desse dia em diante...Feliz 2009!!!

Oração de Luz, Força e Esperança

Senhor:
 
Que á partir de hoje tu guies os meus pés pelo caminho difícil, tortuoso e íngreme do sofrimento, para que eu chegue enfim aos vales relvosos da felicidade.

Que as minhas pernas sustentem a dor da perda para que na força da luz do 
amanhã eu possa voltar a andar.

Que meus pulmões se encham de ar puro sempre que precisar recuperar o fôlego após o cansaço da batalha diária.

Que minhas mãos sejam sempre usadas para construir a beleza nas coisas simples, a firmeza nas coisas sérias e a ternura em um carinho.

Que meus braços carreguem sempre a certeza de que todo esforço é válido, que tudo que pesa nos ensina  a crescer e progredir.

Que nos meus ombros eu não deixe de carregar o fado necessário, mas que sempre na volta para os meus, encontre o aconchego de um carinho. 

Que meus ouvidos ouçam tudo, mas absorvam somente o necessário.

Que meus olhos enxerguem sempre a verdade, e saibam ver nas atitudes dos outros, as suas verdades.

Que da minha boca saia somente palavras doces, firmes consoladoras e sensatas para ajudar a quem precisa.

Que a minha mente não se canse de procurar pela sabedoria e pela busca dos objetivos, seguindo assim sempre o caminho que a minha consciência indicar.

E que acima de tudo, e o mais importante para a vida, que o meu coração pulse, sempre e forte para me fortalecer nas perdas, me aliviar nas angústias, sobreviver nas alegrias e... amar, amar sempre a família, os amigos e os amores, que também fazem sofrer, mas que, sem eles, de nada adiantaria existir.

Amém
 

Escrito por Cristiana às 20h20
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24/12/2008


Contrários

 

Me emociono muito sempre que ouço essa linda canção do Padre Fábio

Música perfeita para uma data perfeita...

Feliz Natal!

Escrito por Cristiana às 22h25
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17/12/2008


A Flor Eterna - Conto

 

Ele a viu antes que ela. Quando percebeu, ele já seguia com seu sorriso inconfundível e os braços abertos na sua direção para abraçá-la.

 - Não acredito! Disse ela sem realmente acreditar.

 - Quanto tempo!Que bom te ver!Disse ele antes de um caloroso abraço que, apesar do tempo ainda estava tão presente.

Eles falavam quase que ao mesmo tempo, quase não se compreendiam com as palavras, mas os olhos há, esses se entendiam bem...

O assunto era trivial, trabalho, família, futuro... futuro...

Logo depois reinou o silêncio. Pra que palavras, se os olhos que não se viam há 13 longos anos, ainda se entendiam tão bem como naquela tarde de Janeiro onde ela remexia nos óculos escuros dele sentada no banco da praça da escola onde os dois tinham acabado de fazer a prova de recuperação de inglês.

- Eu vou embora - disse ele com um sorriso no rosto, mas sem olhar pra ela - Recebi uma proposta de emprego e não posso desperdiçar.

 - Pra onde? - disse ela sem tirar os olhos dos óculos, tinha medo de que ele percebesse a aflição nos seus olhos.

 - Acre. É bem longe, mais vai ser bom. Finalmente vou poder viajar, conhecer gente nova, novas oportunidades...

Ficaram quietos por um bom tempo. Desde que tinham se conhecido, três anos antes, nunca tinham tanta frieza um com o outro. Viram-se e se gostaram imediatamente. Primeiro como colegas de sala, dividindo trabalhos, estudos e provas. Ela adorava seu jeito criativo, comunicativo e atrapalhado de ser. Ele por sua vez adorava sua inteligência, sua risada, seu sempre disposto modo de ajudar as pessoas. Logo se tornaram amigos, um vivia na casa do outro. Viraram até companheiros de festa, sempre se divertindo juntos. E foi justamente em uma dessas festas que, de repente, no meio de uma dança, ele a olhou seriamente. Ela não reconhecia aquele olhar, ficou com medo, o coração disparou e ela tentou soltar-se, mas as mãos dele a agarravam cada vez mais fortes. Sentiu sua respiração acelerar, as mãos suarem, um frio na espinha. Sentiu também a respiração dele antes de fechar os olhos e senti-lo apertá-la sobre o peito. Mas uma força desconhecida a fez soltar-se dele:

 - Não!Não posso!

 - Por que não?!

 - Por que você é meu amigo!

Ele parecia não acreditar no que ouvira. Tentou pegar novamente em sua mão enquanto ela se afastava, em vão. Ela fugia no meio da multidão que se divertia quando sentiu uma mão agarrar seu braço. - Vamos conversar! Disse ele, mas ela não queria conversar, estava muito assustada com todo aquele turbilhão de sentimentos que rodeava sua cabeça, parecia que seu coração iria explodir. Ele insistiu até ver que agora seu rosto mudara e as lágrimas teimavam em sair dos seus olhos. Então ele a soltou e ala saiu sem olhar pra trás.

Os dias que se seguiram foram difíceis. Os outros amigos perceberam o afastamento do "casal vinte" da sétima série. Tentaram conversar com os dois, mas não adiantava. Ele estava ferido, magoado, e ela, não entendia que, pela primeira vez na vida, estava apaixonada e pelo seu melhor amigo.

Três meses se passaram e agora eles estavam os dois ali sentados juntos, numa praça vazia, num final de uma tarde de janeiro. Ele a olhar para a porta da sala e ela para os óculos. Os dois ficaram ali sentados um do lado do outro, até ela colocar os óculos, levantar-se e sorrir pra ele.

 - Boa sorte e boa viagem! Disse ela ouvindo a porta se abrir e a professora chamar os dois de volta pra sala. Ela fora aprovada, ele não.

 - Não faz mal. certas coisas se perdem pra se ganhar um dia - disse ele virando de costas e caminhando em direção ao portão esquecendo os óculos que ela tinha nas mãos. Ela sentou-se de volta no banco e chorou até quando o guarda e os primeiros alunos do turno da noite começaram a chegar.

 - Vem fazer uma visita, estamos esperando!

 - Com certeza - disse ela percebendo que durante todo tempo não tinham soltado as mãos em nenhum momento. Logo percebeu que seu semblante mudara. Sim, ela o conhecia bem, mesmo depois de tanto tempo, ainda percebia quando ele se sentia inquieto. Nesse instante, uma linda menina surgiu correndo do meio dos arbustos da praça:

 - Vem Papai, vem ver que flor linda eu achei!

A menina o puxou para um meio de um canteiro onde havia muitas espécies de plantas e no meio delas uma pequena planta com algumas flores vermelhas. Ela aproximou-se com cuidado.

 - São lindas. Lindas como você! Disse ela com um sorriso no rosto, enquanto a menina retribuía o sorriso dizendo fascinada que as havia encontrado escondidas por entre os arbustos.

 - Aquela ali é linda, filha. Você não quer dar ela de presente pra moça?!Disse ele sem sorrir, mas olhando fixamente para ela.

Não, não a retire. Deixe-a onde está!Disse ela sorrindo enquanto se abaixava perto da menina - Se você me der essa flor com o passar do tempo vou ver ela murchar, ressecar e morrer. Mas se deixá-la onde está, eu vou me lembrar dela com muito carinho e pra sempre...

Ele desviou o olhar enquanto ela se levantava e se dirigia ao carro estacionado ali do lado.

 - Quando posso te ver? Disse ele se afastando da menina que brincava no canteiro.

 - Certas coisas se perdem para se ganhar um dia... - disse ela colocando os óculos - Eu guardarei a minha flor pra sempre, você teve que esquecer as lembranças da sua para poder cultivar uma nova. Hoje, você tem uma flor linda... cuide bem dela.

 - Vem ver papai, eu achei mais uma, essa é mais bonita que a outra! Disse a feliz menina enquanto empurrava o pai de volta pro canteiro.

 

Escrito por Cristiana às 00h55
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14/12/2008


“Ando devagar por que já tive pressa...

...e levo esse sorriso por que já chorei demais..."

 Quando Almir Sater encantava os nossos ouvidos com essa música no começo dos anos 90 eu estava no inicio dos meus 10 anos, eu era uma menina tranqüila, que aprendeu cedo que existiam "pessoas más" nesse mundo, um ser que estava se acostumando a ter dois dígitos na idade e tirando uma de madura pra quem ainda não tinha esse privilégio. Brincava de queimado, peteca, elástico e amarelinha com a turma na rua, andava de patins e rodava bambolê, até que no auge do cansaço, parava pra assistir Xuxa e Mara na TV, afinal, eu ainda era uma criança...

Dos 11 aos 13 tudo começou a mudar. Meu corpo e minha cabeça já não eram os mesmos, questões nunca antes pensadas ganhavam muitas interrogações, o mundo começava a ter outras cores e sons nunca ouvidos, o coração já começava a ensaiar os primeiros acordes daquela música chamada paixão, que foi correspondida, mas não concretizada, pois eu ainda era uma criança...

Dos 14 aos 17 descobri que adolescência era difícil, tive que aprender as enfrentar as "pessoas más", arranjei outra paixão, o primeiro emprego chegou, minha amada avó se foi, os amigos da escola eram os melhores amigos que podia se ter, e as festas eram cada vez melhores, mas, meus pais deixavam claro que eu não podia fazer tudo que queria, por que eu ainda era uma criança...

Dos 18 aos 21 foi complicado. Muitas responsabilidades, um negócio chamado vestibular já começava a povoar a cabeça, concursos, trabalho e aquela paixão que corroía o peito, por fim acabou, dando lugar a uma amizade bacana, mudei de casa e de vida, agora eu estava deixando de ser criança...

Dos 22 aos 25 a vida mudou totalmente. Passei no tal concurso e no vestibular, conheci um mundo novo, com pessoas novas, novos conceitos, desafios e descobertas. Ganhei amizades eternas, fui promovida no trabalho e passei a ser independente, embora nunca tivesse pensado em sair de casa e deixar minha mãe. Mas também houve a dor de perder um amigo e emoção de ouvir pela primeira vez um "eu te amo". É, eu não era mais uma criança...

Dos 26 aos 28 a vida virou uma confusão sem fim: primeiro recebi de presente dois anjos que mudaram minha vida - meus sobrinhos. Logo depois perdi meu amado avô, em seguida realizamos a esperada meta da nossa "casa dos sonhos" e então vieram as brigas em família que se tornaram um tormento sem fim. Foi bem complicado, mas nada que com o tempo e amor não fosse curando.

 

Hoje faço 29 anos. Nossa! Isso pesa! Mas sinto que valeu a pena cada dia, cada momento de felicidade, adversidade. Não gosto de pensar no futuro, mas igualmente como na metáfora da vida serei como um livro, que deve ser lido com calma e depois de virar a página iniciar um novo capítulo na história da minha vida. Quero ser capaz de escrever a minha história, de errar, aprender, ser feliz e ter a certeza de ainda manter em mim a esperança de quando eu era criança, quero aprender a voar...!

Não esquecendo o final daquela canção do Almir:

 

"...cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz... de ser feliz!"Riso

Escrito por Cristiana às 00h33
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25/11/2008


A Vaca Louca

 

Quebrando um pouco a rotina dos meus textos, hoje venho contar uma história engraçada que aconteceu comigo em 2005.

 

            Era inverno, muita água caindo no céu pra amenizar a nossa terra seca que durante esse período fica verde, florida, as árvores frutíferas carregadas e os rios sempre cheios. Adoro estar em contato com a natureza e uma das coisas que mais gosto nessa vida é tomar banho de rio. Então, uma amiga minha, a Adeiana, sabendo dessa minha paixão me convidou pra um passeio em um dos rios da nossa região que fica na propriedade de um comerciante, um simpático senhor chamado Iron. Fiquei meio preocupada, pois havia chovido muito nos dias anteriores e com certeza a correnteza estava forte impedindo o prazer de cair na água, mas mesmo assim aceitei o convite. E lá fomos nós: Adeiana, esta que vos fala e mais as amigas Lana e Maricélia, todas devidamente equipadas – tolha, protetor solar, óculos... E o rango – um delicioso peixe (pra quem gosta) que Adeiana levou pra forrar a pança, ou seja, típicas farofeiras de rio.

            Eis que, pra chegar lá teríamos que atravessar vários obstáculos como lama, espinhos, pedras, cercas e um pasto enorme onde havia um pomar de cajazeiras (frutinha típica e deliciosa) que estava completamente carregado. Por volta das 13h00min lá fomos nós, enfrentando isso tudo. Quando chegamos à porteira que dava acesso para o pasto (existem vários tipos de porteira e essa era feita com troncos de encaixe onde tem que se retirar dois ou três pra atravessar) avistamos algumas vacas lá no final, mas como elas estavam muito longe não demos muita bola pois estávamos mesmo interessadas em chegar as cajazeiras e passamos sem dificuldade.

            Depois da parada estratégica e devidamente carregada com as sacolas de cajás, enfim chegamos à margem do rio que como prevíamos estava pelo menos com o dobro do volume nos deixando intimidadas pra entrar. Mesmo assim nos divertimos, entramos um pouco (só um pouco), jogamos conversa fora e as meninas saboreavam o peixe enquanto eu me deliciava com as cajás. Resolvemos ir embora por volta das 16h30min e paramos mais uma vez no pomar, mas não percebemos que o dono do pasto, o Sr. Iron, já tinha mandado um vaqueiro pra separar os bezerrinhos das mamães, senão não poderiam tirar o leite da fazenda cedinho no dia seguinte e seguimos nossa caminhada pelo meio do pasto nessa ordem: eu e Lana mais próxima da cerca e Adeiana e Maricélia mais pro meio do pasto todas equipadas com sacolas cheias de frutas. De repente eu escuto algo como um galopar de um cavalo só que bem mais pesado: Era uma vaca enooorme (sim, ela era enorme mesmo com grandes chifres e tudo mais). O desespero foi total. Só lembro que eu gritei: - Corre!Corre! E nós corremos... Eu mesma descobri uma maratonista adormecida dentro de mim que nunca imaginaria que existisse.

            Eu e Lana tivemos sorte, pois estávamos próximo à cerca e como o capim estava alto, nos abaixamos e a fera passou direto. Já as meninas não tiveram a mesma sorte: antes de me abaixar eu vi Maricélia caindo, parecia aquelas cenas em câmera lenta, sabe? Aquele monte de frutas voando pelos ares e logo depois as pernas dela subindo e descendo, foi horrível! Mas por incrível que pareça a grande sorte dela foi essa, pois a vaca não vê o que está abaixo da sua linha de visão e passou direto. Agora só restava Adeiana que tinha as pernas muito cumpridas e chegou a porteira antes da vaca. E nós? Como sairíamos dali? Estrategista que sou nessas horas só me restou uma idéia: contar até três e correr o máximo que pudesse. A vaca ficou desnorteada com nosso “desaparecimento” e como Maricélia já estava conosco colocamos o plano em prática. É um... é dois...é três...e....e....e....e a vaca nos descobriu! Agora era cada um por si e Deus por nós! Jogamos tudo pro alto e corremos muito, parecia competição por medalha de ouro nas olimpíadas... enfim chagamos a porteira e eu que na ida reclamei que só podia passar pelo espaço de  dois troncos, na hora passamos de uma vez três por um só. Caímos do outro lado da porteira cheias de lama, descabeladas, sem uma sacola nas mãos e sem um pingo de ar nos pulmões, mesmo assim caímos as quatro num ataque de riso. Isso se estendeu por uma meia hora, pois cada vez que uma se levantava as outras caiam na risada. Quando finalmente conseguimos chegar à casa do Sr. Iron, ele explicou que a vaca tinha acabado de parir e com certeza só nos atacou por causa do filhote. Então Adeiana começou a passar mal, mas continuava rindo. Resolvemos andar um pouco até a churrascaria de Zé Guedes, o marido dela, já preocupado com a demora veio ao nosso encontro e se deparou com aquela cena: a mulher chorando, toda trêmula e rindo na companhia de mais três malucas sujas, também nervosas mais as gargalhadas. O percurso era muito longo pra ser feito a pé naquelas condições, então fomos caminhando devagar até chegar a rodovia. Eis que, naquele momento o que avistamos? A polícia. Sem perder tempo o marido de Adeiana pediu pra eles nos levarem até em casa. Visualizem: quatro mulheres molhadas, sujas, descabeladas e transtornadas sendo conduzidas no carro da polícia no meio da população da nossa “imensa” cidade de 9.000 habitantes? Em menos de uma hora iam surgir as manchetes: “Quatro mulheres presas por roubo de frutas em Potengi” ou “Presas arruaceiras acusadas de roubo. Vaca evitou furto” ou ainda “Com ajuda de vaca guarda costas polícia prende um Potengi gangue das cajás”.

 

Por onde nós passávamos todo mundo olhava. O carro parou em frente ao hotel municipal, que Adeiana e o seu marido Zé Guedes administram. Quando descemos do carro algumas pessoas nos olharam abismadas, e nós simplesmente dissemos obrigado ao policial, nos entreolhamos e caímos na gargalhada novamente.

 

Por mais que passem décadas, todas às vezes que nos encontramos rimos da mesma  maneira, especialmente eu e Adeiana, que foi quem me meteu nessa furada. Nunca mais voltei no rio, mas sempre que se ouve dizer que está cheio e lindo Adeiana me diz: - Cris, vamos tomar banho de rio hoje?!

 

Com você filha, nunca mais!

 

Eu, Renata, Deninha e Lucinha...outras amigas em um outro ano mas na extensão do

 mesmo rio - bons tempos!

 

Escrito por Cristiana às 20h55
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07/11/2008


Conquistar + Compartilhar = Amizade

Desde muito pequenos aprendemos quão é importante compartilhar o que temos e o que acabamos de conquistar. A escola, nossa maior experiência social fora do lar, é a primeiro dos muitos passos que percorremos na direção da formação de um dos mais importantes elos que todo e qualquer ser humano constrói ao longo da vida – a amizade.
Pra alguns pode ser frustrante, pra outros, difícil, pois ali temos que conviver também com as primeiras diferenças, o que nem sempre é bem aceito. Mas por outro lado, e na maioria das vezes, é ali que nascem os primeiros companheiros, aqueles que escolhemos para compartilhar nossos medos, alegrias, descobertas e tantos outros prazeres e desavenças da vida.
Fui uma criança muito tímida e não tão bem aceita, pois era “diferente”. Acho que foi essa uma das razões que me levaram a sempre querer conquistar o meu espaço, a provar pra mim mesma que eu era diferente por que me fazia ser. Não de modo depreciativo, negativo, não. Eu era diferente por que sabia lhe dar com isso e sabia conquistar o que eu queria e precisava como qualquer outra pessoa. Em resumo: eu era diferente por que sabia ser igual. Isso é muito filosófico... Nossa!
Enfim... nada me impediu de conquistar pouco a pouco todos os amigos que queria e precisava ter. Amigos de infância, amigos de escola, amigos de brincadeiras, amigos de rua, amigos de festa, amigos papo, amigos de trabalho, amigos de causa, amigos virtuais, amigos irmãos, amigos do peito, amigos amores... Eu poderia citar aqui mil tipos de amigos, inclusive “aquele” que nenhum de nós quer ter, mas sempre acaba tendo – o amigo da onça. Sim, este é aquele que sempre aparece na hora errada, sempre te põe numa furada, te deixa pra baixo, te machuca, te trai... pode parecer até absurdo o que vou dizer, mas esse é o um dos nossos “amigos” mais importantes, pois é exatamente com eles que aprendemos as mais duras lições. Ele quem nos abrem os olhos para aquilo que não queremos ter. Eles nos ajudam a enxergar coisas que jamais veríamos principalmente os nossos defeitos, sim, aqueles que nunca admitimos ter, mas sabemos que existem. O amigo da onça é um amigo necessário para qualquer um, o mal só está em torná-lo parte da sua vida. Eu sempre atraí gente assim, talvez pelo meu jeito... digamos assim...mais otimista de ver as pessoas e nisso quebrei a cara muitas vezes até perceber que é assim mesmo que se aprende, levando porrada. Mas nunca precisei fazer o mesmo com eles, ao contrário, quando passei a não mais dar valor a suas conversas e crer que não eram os tipos de pessoas que queria pra minha convivência, eles foram sumindo e eu voltei a ter minha tão sonhada recompensa – a paz. Portanto, meu agradecimento a todos meus queridos e necessários “amigos felinos”, que fazem lembrar um pequeno poema de Mário Quintana:
Todos esses que aí estão/Atravancando meu caminho,/eles passarão.../eu passarinho!
Desabafos a parte, meu objetivo neste texto é falar dos amigos, aqueles a que não se podem possuir e sim conquistar, pouco a pouco, um a um e a seu tempo. Tenho amigos que conheço há mais de vinte anos – Amigos irmãos - e tenho amigos que conheço a pouco mais de um mês – amigos virtuais – e os dois tipos ocupam lugares diferentes no meu coração, mas todos são igualmente importantes. Gostaria de falar de todos eles, dos que estão próximos, distantes, de todos os momentos maravilhosos (e hilários) que eles me proporcionaram, por torcerem por mim nas empreitadas da vida, por dividirem comigo os momentos difíceis e me puxarem a orelha sempre que necessário e pedir perdão aos que magoei, direta ou indiretamente. Tenho certeza que minha vida não seria a mesma sem a presença de cada um de vocês velhos e novos amigos.
Tanto tenho a dizer que me faltam palavras, mas como sentimento não se explica deixo James Taylor e seu violão se expressarem por mim:

James Taylor

You've Got A Friend (Você tem um amigo)

Quando você estiver abatida(o) e preocupada(o)
E precisar de uma ajuda,
E nada, nada estiver dando certo,
Feche seus olhos e pense em mim
E logo eu estarei lá
Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.

Apenas chame alto meu nome
E você sabe, onde quer que eu esteja
Eu virei correndo
Para te encontrar novamente.
Inverno, primavera, verão ou outono,
Tudo que você tem de fazer é chamar.
E eu estarei lá, sim, sim, sim,
Você tem um amigo.

Se o céu acima de você
Tornar-se escuro e cheio de nuvens
E aquele antigo vento norte começar a soprar,
Mantenha sua cabeça sã e chame meu nome em voz alta
E logo eu estarei batendo na sua porta.
Apenas chame meu nome
E você sabe, onde quer que eu esteja
Eu virei correndo para te encontrar novamente.
Inverno, primavera, verão ou outono,
Tudo que você tem de fazer é chamar
E eu estarei lá, sim, sim, sim.

Escrito por Cristiana às 18h40
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11/10/2008



Dizem que "os olhos são a janela da alma" mas poucos são os que tem


o dom de enxergar com esses olhos. 


Quem tiver esse dom e olhar no fundo dos meus agora verá que minha


alma está feliz como poucas vezes foi.


E é tão bom! É tão bom ser feliz!!!


Como é bom.......!!!

Escrito por Cristiana às 23h13
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10/10/2008


Dos Poetas e Escritores

Aprendi a ler sozinha aos 5 anos, por isso soube desde cedo que seria uma apaixonada pelas letras. Minha mãe me ajudou muito comprando livros infantis, discos, gibis, tudo que incentivasse a leitura. Não tive dúvidas em fazer vestibular para letras e passei na primeira tentativa - a única daquele ano na minha enorme cidade de 9.000 habitantes. Me decepcionei um pouco com o curso mas ganhei conhecimento e construí amizades que vão durar pelo resto da vida. Também tive a sorte do meu primeiro emprego, aos 16, ser na biblioteca municipal da minha cidade, um lugar mágico pra mim, foi lá que descobri Machado,Bandeira,Veríssimo, Lígia e em meio a tantos um tal Neruda, de quem já tinha ouvido falar mas não conhecia. Apartir de então fiquei fascinada pela obra deste chileno e sua romântica poesia angustiada.

Publicarei aqui à partir de hoje algumas poesias e contos de vários escritores mundiais. iniciarei com o meu poema preferido de Neruda - XV - Vinte poemas de amor e uma canção desesperada.

XV

"Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda

Escrito por Cristiana às 20h46
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09/10/2008


Heróis, ídolos e afins


Todos nós temos heróis, ídolos ou pessoas que simplesmente admiramos pela capacidade idealizadora de serem exatamente como nós gostaríamos de ser. Apesar dos meios de comunicação, principalmente a TV nos apresentarem diariamente o seu “show de horrores” de cabeças vazias, corpos siliconados, escândalos, fofocas e músicas sem conteúdo, ainda acredito no poder transformador que eles podem exercer sobre as pessoas.
Existem milhões de motivos para se dizer que esses meios, hoje tão abrangentes no mundo inteiro, são usados erroneamente por gente de má índole como pedófilos, racistas e psicopatas, mas, por outro lado une pessoas, promove descobertas, informa e divulga expressões de pensamento como a que estou fazendo agora neste blog.
Outro dia li uma notícia por aqui de uma menina que conseguiu emagrecer 53 kilos com a ajuda de uma comunidade para gordinhas ou coisa parecida. Aquilo me incentivou bastante para a criação deste blog. O fato de expressar os sentimentos, conhecer pessoas com os mesmos problemas e aflições que os seus te deixa mais esperançoso a resolvê-los.
Mas, vocês devem se perguntar o que isto tem haver com os heróis do título do texto? Aí eu respondo: Tudo.
Há pouco tempo me iniciei nesta onda virtual. O que antes eram só raras pesquisa virou fonte de entretenimento. Então, criei um e-mail, construí um perfil no Orkut, me aventurei nos bate-papos e hoje tenho este blog. Como sempre fui curiosa encontrei por aqui o blog do Rafael Cortez do CQC, programa da Band que eu acompanho desde o início e sempre dou muita risada. Pois bem, assistindo ao programa achava o Rafael, com toda aquela sua altivez, fama de galã de rosto perfeito um tanto pretensioso e vazio, mas inegavelmente inteligente e talentoso. Já o conhecia. Como boa telespectadora que sou, não esqueci que seu rosto estampou algumas campanhas publicitárias e um programa de jogos vespertino em um canal de baixa audiência há uns 7, 8 anos.
Comecei a ler seus textos desinteressadamente e fui as poucos me envolvendo em sua sensibilidade, revoltas, sonhos, aventuras, idéias e musicalidade. Conheci seu lado família (apesar dele ter deletado alguns posts), crítico literário (pra quem fez Letras como eu é um prato cheio) e um apaixonado pela arte (de viver, como ele próprio se denomina), vi que ele assim como eu e você, era uma pessoa “simples”, guerreira, que corre atrás do reconhecimento do seu talento e finalmente está começando a colher os louros do sucesso.
Por isso comecei a vê-lo de outra maneira e me tornei grande fã desse moço, por que ele me fez perceber que ainda existe essência por dentro de alguns que denominamos “ídolos de barro”, que todos temos, mas raramente conhecemos verdadeiramente até por que são cultuados como deuses, pessoas inalcançáveis.
Aventurei-me a escrever comentários e enviei três mensagens recheadas de humor no Orkut sem nunca imaginar que na terceira ele me responderia: “-Um beijo para minha maior fã do Ceará: VC!!!”. Fiquei sim, muito emocionada em saber que meu ídolo agora “Me” conhecia, em ler que eu era fã sim, não só do personagem da TV, mas do artista que busca sua essência com simplicidade, assim como eu e você.
Em um mundo com tanta falta de humanidade por parte das pessoas temos que reconhecer os “ídolos simples”, as pessoas como nós, que estão do nosso lado, de carne e osso, que ralam pra pagar as contas no fim do mês, mas não dispensam a companhia dos amigos depois de um dia duro. Que não tem tempo pra nada, mas tem sempre tempo pra agradecer a Deus todas as noites por tudo que conquistou. Que procura sempre alegrar as pessoas e ser feliz por isso. Que não procuram doentiamente serem amados, mas simplesmente amar.
Terminarei com um trecho marcante de um livro do Psiquiatra Roberto Shinyashiki – “Heróis de Verdade – Pessoas comuns que vivem sua essência” que é mais ou menos assim: “Precisamos de heróis que vivam sua essência com simplicidade. Gente que deu certo não por ter superpoderes, mas por apostar nos talentos que moravam em seu interior. Gente que se dedicou à busca da realização do que era essencial na sua vida”.

Admire sempre os outros mas seja o seu maior fã

Com carinho

Cristiana

                         foto:Verena Smit - Glamurama/blog de Rafael Cortez


Escrito por Cristiana às 19h20
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